domingo, 10 de fevereiro de 2013

Pessimismo marca filmes exibidos no Festival de Berlim neste sábado

Pessimismo marca filmes exibidos no Festival de Berlim neste sábado:
BERLIM - O programa da competição do 63º Festival de Berlim deste sábado foi marcado pelo pessimismo em relação ao ser humano. O dia começou com o drama russo “A long and happy life”, de Boris Khlebnikov, sobre o administrador de uma fazenda comunitária no norte do país que desiste da ideia de acordo lucrativo com o governo em favor do futuro de seus leais empregados para, em seguida, ver-se lançado à própria sorte. O filme, recebido com frieza pelos jornalistas, descreve a tragédia de um homem decente, traído por suas próprias convicções e o sentido de comunidade.
A indiferença da imprensa continuou com a atração seguinte, a produção alemã “Gold”, de Thomas Arslan, que acompanha a longa e penosa viagem de um grupo de colonos alemães em busca da fortuna em uma mina de ouro no extremo Norte do Canadá, no final do século XIX, que vai se desfazendo ao longo do caminho, minado por ambição e desejos de vingança. Filmado com ares de faroeste existencialista, o filme é estrelado por Nina Hoss, nova musa do cinema alemão, em cartaz no Brasil com “Barbara”.
O segundo dia de disputa pelo Urso de Ouro de melhor filme terminou com “The necessary death of Charlie Countryman”, de Fredrik Bond, uma violenta e lisérgica correria à moda “Trainspotting – Sem limites” (1996), de Danny Boyle, que descreve o resultado de um improvável romance entre um jovem turista americano (Shia LaBeouf) e uma bela musicista romena (Evan Rachel Wood) com íntimas ligações com o submundo do crime naquele país.
No final da tarde aconteceu a primeira sessão para público do longa-metragem brasileiro “Você nunca disse eu te amo”, de Bruno Barreto, cartaz da mostra paralela Panorama Special. Exibido em um cinema comercial em Alexanderplatz, o drama de época que recria o relacionamento amoroso entre a arquiteta e paisagista brasileira Lota de Macedo Soares (Gloria Pires) e a poetisa americana Elizabeth Bishop (Miranda Otto) recebido com certo entusiasmo pela plateia de pagantes, que misturava locais e brasileiros residentes na cidade.
Até o início da semana passada, o novo filme do diretor de “Dona Flores e seus dois maridos” (1976) tinha como título oficial “Flores raras”. Em Berlim, a produção foi exibida para o mercado estrangeiro como “Reaching for the Moon”, título de uma canção de Irving Berlin em versão cantada por Ella Fitzgerald, ouvida na trilha sonora. A equipe do filme chega ao festival ainda neste fim de semana.
– Fizemos uma sessão teste do filme em outubro do ano passado, quando sugerimos três títulos para os espectadores: “Flores raras”, “A arte de perder” e “Você nunca disse eu te amo”. O que recebeu melhor avaliação foi este último. Numa reunião com a distribuidora Imagem, coprodutora do filme, na última terça, antes do início do Festival de Berlim, batemos o martelo que seria “Você nunca disse eu te amo” – explicou a produtora Paula Barreto, justificando a mudança do título.

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