A Nicole poderia facilmente ser classificada como uma daquelas mulheres que tiram o fôlego, que fazem você perder a direção e esquecer o caminho de volta para casa. Ela facilmente poderia ser vista como uma mulher inacessível, tão bonita que traz de volta o menino sem palavras que deixa de agir na hora mais importante da sua vida. Sim, poderia.
Mas não, não dessa vez. Acontece que a Nicole é uma menina de óculos.
No trabalho, na escola, na faculdade, nas ruas, elas sempre estiveram lá. Às vezes sem o destaque merecido ou até mesmo sendo levemente subestimadas, rotuladas, encaradas como alguém que veio com um defeitinho. Engano, um grande engano.
Os óculos são uma ferramenta de distração, como os gestos habilidosos de um mágico. Você pensa que está vendo, pensa que está com os olhos fixados em cada movimento, ouvindo cada palavra, mas na verdade, só está deixando passar o que realmente importa.
As coisas importantes sobre uma mulher de óculos começam a surgir quando você a cumprimenta meio por acaso em algum café da vida e descobre que ela está lendo aquele mesmo livro guardado na sua mochila. As coisas importantes começam a surgir quando vocês conversam e cada novo tópico traz um novo “nossa, eu também” à mesa.
Claro, mais coisas importantes vão surgindo, à medida em que ela, com sua habilidade de esconder coisas, vai cada vez mais transformando o resto mundo em figurantes.
E depois de tudo isso, ela manda um e-mail, dizendo como não conseguiu dormir quando chegou em casa.
Mulheres de óculos não costumam fazer faltar ar. Elas inflam seus pulmões de tal forma que só resta a opção de você se acabar em suspiros de saudade.
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