quinta-feira, 21 de julho de 2011

Top 10 Novelas

Top 10 Novelas: "Aproveitando a ótima fase do canal Viva, que terminou 'Vale Tudo' e agora está reprisando 'Vamp' e 'Roque Santeiro' - respectivamente, 'Os Goonies' e o 'Cidadão Kane' das novelas - segue uma pequena homenagem ao grande baluarte da cultura pop brasileira. Infelizmente minha tenra idade não me permitiu aproveitar a Era de Ouro da rainha Janete Clair ('Pecado Capital', 'O Astro', 'Pai Herói', 'Irmãos Coragem', 'Selva de Pedra') e só tive acesso aos seus remakes, portanto fica registrada a menção honrosa.

10.

'A Viagem', de Ivani Ribeiro (1994)

Remake de uma novela da Tupi de 1975, antecipou já nos anos 90 a onda espírita que tomou conta do cinema nacional nos últimos anos, provando que nosso cinema está sempre atrasado. O Nosso Lar da novela tinha Otávio (Antônio Fagundes) e Dinah (Christiane Torloni) tentando salvar a alma perturbada de Alexandre (Guilherme Fontes) do inferno. Ainda tinha um grande personagem coadjuvante, o Dr. Alberto (Claudio Cavalcanti), e a emblemática música-tema do Roupa Nova na abertura.



9.

'Quatro por Quatro', de Carlos Lombardi (1994/95)

A novela de apelo feminista girl power foi o ápice da carreira de Carlos Lombardi, grande representante da pornochanchada soft no horário das sete. A trama girava em torno de 4 mulheres à beira de um ataque de nervos (Elizabeth Savalla, Cristiana Oliveira, Letícia Spiller e Betty Lago), mas o bicho pegava mesmo era na relação conturbada de Babalu (Spiller) e Raí (Marcelo Novaes). Ainda tinha o grande comedor Ralado (Marcelo Faria) e uma trilha sonora fantástica que incluia 'Always' do Bon Jovi e 'How Deep is Your Love' na versão do Take That.



8.

'Mandala', de Dias Gomes (1987/88)

Adaptação do mitológico 'Édipo Rei' de Sófocles, trazia o famoso caso de Édipo (Felipe Camargo) com sua mãe Jocasta (Vera Fischer). Não contente em pegar a própria mãe, Édipo tem poderes paranormais, mata sem querer o pai biológico e trava um duelo mortal contra o vilão Argemiro (Carlos Augusto Strazzer) no final de novela mais heavy metal da história. Ainda tinha um coadjuvante clássico, Tony Carrado (Nuno Leal Maia) e a marcante 'O Amor e o Poder' de Rosana na trilha (aka 'como uma deusa').



7.

'Tieta', de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares (1989/90)

Baseada na obra de Jorge Amado, mostra o retorno da teúda e manteúda Tieta (Betty Faria) a sua terra natal, Santana do Agreste, rica e poderosa, escondendo de todos que ganhou fortuna como prostituta. Sua irmã beata, Perpétua (Joana Fomm), é uma das melhores personagens da história da TV. Ainda tinha Ascânio, Tonha, Elisa, Timóteo, a virgem de 40 anos Carmosina, Cinira, Modesto Pires e o Coronel Artur da Tapitanga, todos clássicos. Mais uma vez a teledramaturgia supera o cinema nacional, já que a versão de Cacá Diegues pras telonas é uma porcaria - além de o tema do Luiz Caldas ser bem melhor que o do Caetano Veloso.



6.

'Vamp', de Antonio Calmon (1991/92)

Aventura e humor com vampiros no melhor estilo 'Os Garotos Perdidos' ou outros filmes queridos da Sessão da Tarde, com destaque para a vampira popstar Natasha (Claudia Ohana) e o vilão, o Conde Vlad (Ney Latorraca), e mais um desfile de coadjuvantes ilustres como o trio Matoso, Matosinho e Matosão e a caçadora de vampiros vivida por Vera Holtz. Uma novela teen pop perfeita que aperfeiçoou a fórmula de 'Top Model' e ainda tinha 'Noite Preta' da Vange Leonel na trilha, ao lado de uma versão de 'Sympathy for the Devil' cantada pela própria musa Natasha.



5.

'Renascer', de Benedito Ruy Barbosa (1993)

As novelas sertanejas do Benedito Ruy Barbosa são todas boas (vide 'O Rei do Gado'), mas de sua fase global nada supera 'Renascer'. Zé Inocêncio (Antônio Fagundes) ainda novo fincou seu facão no pé do jequitibá, ficou com o corpo fechado e virou o rei do cacau. Mas ele não se dá bem com o filho João Pedro (Marcos Palmeira), a quem culpa pela morte da esposa, e até rouba a namorada dele (Adriana Esteves). Ainda tinha coadjuvantes incríveis como a hermafrodita Buba, Tião Galinha, o jagunço Damião e o Coronel Belarmino ('justo, muito justo, justíssimo').



4.

'Que Rei Sou Eu?', de Cassiano Gabus Mendes (1989)

No ano de 1786, o reino de Avilan é controlado por uma rainha louca e uma turma de conselheiros pilantras e corruptos, mas há a esperança das classes mais oprimidas na figura de Jean Pierre (Edson Celulari), filho bastardo do rei e herdeiro ao trono. A sátira política-social com capa-e-espada foi a melhor novela das sete de todas, com um elenco primoroso, coadjuvantes de peso como o bobo da corte Corcoran e o bruxo Ravengar, e 'Eternal Flame' marcando época na trilha.



3.

'Pantanal', de Benedito Ruy Barbosa (1990)

Como não vi 'Irmãos Coragem', 'Pantanal' é minha novela western favorita. Uma saga familiar cheia de folclore, paisagens exuberantes e muita mulher pelada. E a única novela não-global no meu top. José Leôncio (Claudio Marzo) é o tradicional patriarca do Benedito Ruy Barbosa. A partir de sua trajetória como criador de gado no Pantanal surgem as lendas e as histórias de Joventino, Juma Marruá, Filó, Maria Bruaca, Muda, Maria Marruá, o Véio do Rio e tantos outros. Fica a lembrança das rodas de viola com Sérgio Reis e Almir Sater, da tensa cena em que o coronel Tenório capa o peão Alcides, da bela trilha instrumental de Marcus Viana e de muita nudez nos rios do Pantanal.



2.

'Vale Tudo', de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères (1988/89)

Brasil, mostra a tua cara! Raquel (Regina Duarte) é a boa mãe traída pela própria filha mau caráter, Maria de Fátima (Gloria Pires), que passa a vender sanduba na praia pra sobreviver. A novela que desafiava a honestidade do povo brasileiro definiu uma era e permanece atual até hoje. A alcóolatra Heleninha (Renata Sorrah) e sua mãe, a vilã Odete Roitman (Beatriz Segall), gravaram seus nomes na história e a questão 'quem matou Odete Roitman?' virou mania nacional. No último capítulo, o canalha vivido por Reginaldo Faria fugia do país e deixava uma banana para os trouxas honestos de todo o Brasil. Classe.



1.

'Roque Santeiro', de Dias Gomes e Aguinaldo Silva (1985/86)

Melhor novela de todos os tempos, teve sua primeira versão censurada e depois voltou com tudo chutando o pau da barraca. Política, religião, folclore, turismo, arte, cultura e principalmente muita mentira e safadeza rolavam em Asa Branca. A cidade vivia às custas da lenda do finado Roque Santeiro (José Wilker), mas tudo vai pro ventilador quando o sujeito aparece bem vivo na cidade. Forma-se então o célebre triângulo amoroso com a viúva Porcina (Regina Duarte) e o Sinhozinho Malta (Lima Duarte). Ainda tinha uma galeria de coadjuvantes históricos como o Zé das Medalhas e o professor lobisomem. No último capítulo, uma bela homenagem a 'Casablanca'. Um clássico absoluto. Tô certo ou tô errado?



Antes que a patrulha intelectual da internet se manifeste, eu confesso que assisto às novelas que me interessam durante a janta, naquele horário que vocês estão relendo Nietzsche e revendo Godard. Processem-me.
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