segunda-feira, 10 de outubro de 2011

jogo

Comunhão Orquestrada


Vídeo Games Live: a arte de fazer igual, mas diferente. Todos os anos
Vídeo Games Live: a arte de fazer igual, mas diferente. Todos os anos
Diz-se por aí que se você viu um Video Games Live você viu todos os Video Games Live. O setlist muda, mas Tommy Tallarico fala as mesmas coisas, a vibração é a mesma, os arranjos são sempre seguros e o repertório não assume muitos riscos. Isso é verdade até certo ponto. Mas quando Tallarico, a orquestra e o público atingem a mesma nota, ao mesmo tempo, naquela fração de segundos, a Video Games Live é uma experiência comunal difícil de explicar.
Como de costume (uma frase que provavelmente pontua qualquer descrição da Video Games Live), Tallarico recrutou um maestro convidado. Em 2011, o escolhido foi Wataru Hokoyama, compositor de algumas seções de “Resident Evil 5” e do mal-fadado “Afrika”, e temas dos dois jogos foram tocados no concerto, que abriu com uma versão arroz com feijão de alguns temas de “Street Fighter II”, com uma mixagem questionável, que colocou a guitarra de Tallarico acima de qualquer instrumento da orquestra.
Disso, o show passou para Laura Intravia, que ganhou fama como a Flute Link, com um chapéu de Mario e conduzindo um medley do bigodudo na flauta. Apesar do talento evidente da flautista, fica claro que as músicas de “The Legend of Zelda” funcionam muito melhor na flauta que as de Mario, com algumas versões virando sucessões maníacas de notas, testando o fôlego da instrumentista e o reverb do auditório, que tem as dimensões de uma caverna e a propensão a embolar todos os sons. Intravia voltou diversas vezes durante a noite, até mesmo como Flute Link em uma comovente, mas segura, homenagem aos 25 anos de “Zelda”.
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Música do 'WoW' emociona os fãs
A presença de Russel Brower, da Blizzard, garantiu a presença de diversos temas de "World of Warcraft", como o belíssimo “Lament of the Highborne”, com Intravia mostrando seus dotes vocais, guiando a sombria melodia. “Starcraft II” também teve um de seus temas executados, mas, apesar dos berros dos fãs, nada de “Diablo”. “O tema de ‘Diablo III’, modéstia à parte, é bastante difícil”, brincou Brower depois, durante uma coletiva de imprensa. “Mas já estamos trabalhando nisso, não é?”, completou Tallarico.
“Halo: Reach” e “Mass Effect 2” se mostraram bons contrastes com a fanfarra épica e fantástica da Blizzard, com um tom mais frio e melancólico. O tema de “Castlevania” foi competente, mas nada digno de explodir a mente de nenhum dos pagantes. Outro segmento cansado e, considerando o mercado, até mesmo anacrônico, é o concurso de “Guitar Hero”, que dessa vez botou a orquestra e Tallarico acompanhando “The Pretender”, do Foo Fighters.
“Snake Eater”, a abertura fortemente inspirada em 007 de “Metal Gear Solid 3”, teve seu debut em 2009 com Norihiko Hibino, o compositor, fazendo a linha vocal da música no saxofone, mas agora teve sua primeira versão com vocais. Intravia subiu mais uma vez no palco e trouxe a casa abaixo, dominando cada nota com naturalidade e competência. Outros destaques foram a ópera construída em torno do ritmo russo de “Tetris” e a trilha sonora de “Pokemon”, recebida com aplausos e urros da plateia.
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Igual, mas diferenciado.
Um dos momentos mais impactantes do show, pelo menos para os amantes de videogames, não teve um acorde sequer. No meio do show, Tallarico mostrou a primeira gravação de um videogame, em 1968, na qual o criador do Odissey Ralph Bear, explicava o conceito do jogo para a câmera. Bear, ali, 43 anos atrás, explicava basicamente no que consiste o videogame, um momento histórico fascinante. Por Skype, Tallarico cumprimentou Bear, que, com 89 anos, descreveu com simplicidade como teve a ideia de, basicamente, inventar o videogame.
Nesses pequenos momentos, a Video Games Live consegue segurar a atenção do verdadeiro apaixonado por videogames. Seja em uma breve entrevista com um dos pioneiros do mundo dos games, seja em um belíssimo segmento de “Chrono Cross”, seja em uma versão cantada em uníssono por Intravia e a plateia de “Still Alive”, música que fecha “Portal”, o show consegue capturar a magia dos jogos.
A comunhão seja ela com um amigo no sofá, com a máquina, com um contador de pontos, com o joystick ou com um grupo de dezenas de amigos em servidores espalhados pelo mundo. E nesses breves segundos, o Video Games Live é único, diferenciado e inovador todos os anos. Mesmo que seja, no fim das contas, a mesma coisa.
Plataforma: _Xbox 360_ | _PS3_ | _Wii_ | _DS_ | _PC_ | _DS_ | _PSP_

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